terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Anjo da Morte


               Desde os seus dez anos de idade ele já sabia o que queria quando adulto fosse. Sempre admirou os grandes profissionais da saúde, seu poder, sua importância, sua responsabilidade. Durante toda sua vida foi educado para ser grande, corajoso, dedicado, poderoso. Mas a ambição nem sempre é bem dosada.
                O garoto tinha todo o seu tempo livre para se dedicar aos estudos, filho de família rica, o fez. Foi exemplar aluno durante o seu período de educação básica e secundária, orgulho e exemplo da família. E aos 17 anos ingressou no curso superior de medicina e se especializou em cirurgia geral. Estava feito o grande Médico Cirurgião da família! Mais um vencedor, mais um anjo salvador de vidas!
             -Você tem uma vida para salvar hoje doutor, está feliz? Ela já está na sala, o esperando. – Dizia a sua assistente, radiantemente bela, mas infelizmente era casada.
              -Já vou! – Gritava o doutor.
          Assustou-se ao ler a ficha da paciente, aquela mulher fora a que desgraçou sua alma, sofrimento nunca revelado, porém devastador. Ela havia brincado com sentimentos de um menino ingênuo, talvez tenha sido a única que ele amou, e ali estava ela pronta para um transplante de coração, talvez o antigo estivesse podre demais. Mas isso não importava, agora ele que tinha o poder, e realmente se sentiu forte, poderoso, tudo o que sonhou quando criança vinha em sua mente com uma força gigantesca, agora ele tinha o poder sobre a vida e a morte de quem o matou por dentro.
        O anjo se encaminhava então para a sala, salvar mais uma vida, mas não foi bem assim que tudo aconteceu. Tomado por ódio e com o poder em suas mãos, seu equilíbrio mental foi ao espaço. Ele transplantou o coração, mas não aplicou os imunossupressores necessários para evitar infecção e a rejeição do coração.
         -A cirurgia foi realizada com sucesso – Dizia a assistente à família – Vamos aguardar sua reação ao transplante. – E saiu.
          Resultado previsível, a pobre moça foi ao óbito rapidamente. Ele mesmo foi dar a notícia.
         -Infelizmente ela não aceitou bem o coração, está morta! – Falou com uma frieza que chegava a ser demoníaca, mas não externava sua satisfação, e sim, ele estava muito satisfeito, era o Anjo da Morte, o que tinha o poder em mãos, o orgulho de sua família.
         Como é comum a morte em locais desse tipo, tudo passou batido, caso encerrado, corpo cremado, como desejava a vítima caso não vivesse.
          Após esse ato sua estabilidade mental jamais foi retomada, mais e mais mulheres foram assassinadas, alguns homens e crianças eventualmente, mas principalmente mulheres. Algum tempo depois de iniciado a carnificina alguém resolveu contestar o anjo. Este foi investigado e acusado, foi condenado à prisão perpétua por cinquenta e seis casos de assassinato confirmados, na prisão matou seus companheiros de cela e se matou com uma faca enterrada na garganta.
         Mas deixou um bilhete: “Imbecis, como ousam contestar-me? Tenho poder sobre a vida e a morte! Foram noventa e nove com os bastardos dessa cela, mas gosto de números redondos. Não havia mais nenhum para completar minha conta então me matei. Aguardo-vos no inferno. Anjo da Morte”.
          Era louco, escravo dos sentimentos, inteligente demais para conseguir livrar-se disso.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poema da Simplicidade


Escrito juntamente com meu grande amigo Felipe Ramos, blogger do Servo do Silêncio.

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Eu quero saber onde estou
Eu quero ser quem eu sou
Eu quero tentar conseguir
Não mais chorar quando deveria sorrir

Não quero nunca mais lembrar
Dos tempos de quando éramos amantes
De quando você começava a cantar
E dos teus olhos brilhantes

Não quero mais lembrar de instantes marcantes
Nem tentar vida a dois, nem ser amante
Eu quero é que os meus olhos novamente se encantem
Com coisas simples da vida, com o pão nosso de cada dia

E que cada dia esse simples amor seja meu sol
Que me guie e me ilumine por onde quer que eu vá
Que nas manhãs eu ouça o canto do rouxinol
Acalmando meu coração e me fazendo cantar

E que cada tarde esse simples amor seja acalanto
Que me resguarda em segredo das agressões do mundo
Que pela tarde se encha de carinho e afago o meu canto
Que ele brote sempre e sempre mais, do meu eu mais profundo

Porque tudo que é bom não é melhor que o verdadeiro amor
O amor que está em tudo e em tudo
Do imenso céu à pequena flor
E no coração de cada pessoa do nosso mundo

E de grão em grão, a galinha enche o papo
E de peito em peito o amor leva um pedaço
Da tristeza que insiste em ficar depositada
Silenciosa e aflita dentro da alma

Em versos de amor eu me desfaço
Me reconstruo sempre faltando um pedaço
Um pedaço de você que ficou
Num canto que ninguém olhou

Os Mais Belos Versos

Entre os versos que já fiz nenhum é tão belo quanto os versos de amor que vivi,
e esses versos são mais belos quando são escritos para ti.
E de todos os versos, entre os mais belos de amor que escrevi,
tenho alguns que se tornam mais belos por serem escritos para um amigo
que me deu amor infinito como eu nunca vivi.
Pois quando se é amigo se dá amor infinito, o mais simples que sempre
é o mais belo entre os belos desde que seja de verdade.
E o mais belo dos presentes de todos que já vi é ser um amigo de verdade
para seu amigo dando amor infinito e sempre a sorrir.

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Ponteiro


Hoje o ponteiro gira e marca algumas horas de felicidade a mais, me parece que o tempo gosta de resolver as coisas.

Tempo, tempo, não me dissestes do teu plano de acabar com minha tristeza. Está funcionando, se isso lhe interessar.

Tempo mau, tempo bom, cada um tem o seu, alguns os dois, outros gostam de revezar. O tempo é adequado ou adequa se for forte o suficiente para derrubar qualquer outro sentimento.

Tiempo, déjame vivir un poco más en la alegria, ayúdame con mi corazón.

domingo, 18 de novembro de 2012

Nostalgia



Estive esses dias sem falar de você para o mundo, e a cada dia em silêncio relembrei de tudo o que queria lembrar e o que não queria também. Morri mais de mil vezes ao dia e tive a infelicidade de ressuscitar mil e uma vezes só para relembrar-te novamente. Como sou infeliz.

Se lembra do dia em que nos beijamos pela primeira vez? O que estávamos vendo? O que tu me disse, o que respondi, o que tu me deu, o que te dei? Eu lembro de cada detalhe, sombra e brilho no teu rosto, mãos, roupas e olhos. E principalmente do teu sorriso. Como era feliz.

"Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim." Sl 139:5

Podíamos não ser tão cristãos, mas esse salmo marca minha mente todos os dias, todas as vezes que olho seu presente e o quão significativo ele é, todo o tempo, a cada minuto. Como sou bobo.

Coisas tristes aconteceram também naquele dia, e depois, e depois, e depois. Houveram as piores, mas depois de um tempo não senti mais dor. Como eu te amo, como eu sofro anestesiado, como eu te lembro, como eu vivi.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Amar-te-ei


Amar-te-ei

Tua palavra que é imortal
Habita meu machucado coração
Amar-te-ei de modo perenal

Minha dor, e tua, vão além
Do que podes, do que posso suportar
Amar-te-ei como nunca amei ninguém

Entre um e outro pensamento medonho
Imagino-te em um beijo gritante
Amar-te-ei como em um sonho

Mesmo sem despedidas
Com lágrimas escondidas e enxutas
Amar-te-ei sem medidas



domingo, 14 de outubro de 2012

Que Te Peço, Perdão


Que Te Peço, Perdão

Se por amor não consegui
Que posso mais fazer
Até ao inferno desci
Mas não soube como resolver

Tenho medo que se vá de sua mente
Meu rosto, minha voz, meu beijo
Mas mesmo longe se sente
Que tudo se foi sem ao menos ser anejo

Eu lutei mas não resisti
Agora o que te peço é perdão
Em meio a lágrimas até sorri
Perdoe-me, nunca me tire do seu coração



Minhas lágrimas me impediram de escrever mais do que três estrofes...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Queria Mais Um


Queria Mais Um

Como desejo mais um
E outro com você
Desejos a mais, nenhum
Só queria o mesmo clichê

Restam-me apenas as mesmas
Para recordar e sorrir
Juntando cinco mais a sesma
Formando um a meu coração nutrir

Tenho convicção que jamais se esgota
Essa fonte etérea de alegria
E em todos minha boca sopra
As velas de mais um cheio de energia

Mais um com as mesmas
As mesmas em mais um
Com as quintas mais sesmas
E mais nenhum

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um Bom Tempo


Um Bom Tempo

Tive um há muito
Era como em um conto
Num séquito intuito
Sem sair do mesmo ponto

Tão belo quanto às estrelas
E tão forte como o sol
Ou um chá de macelas
Ao canto de um rouxinol

Quão bom era nosso tempo
Que apesar de rápido foi vivido
E penso entre um e outro pensamento
Como tudo fazia um sentido

Sempre o mesmo dia infindável
De uma jura no escuro
Entre nós, eu e um ser amável
Em um beijo puro

Sem mais a fazer
Tento ser feliz
Ao invés de esquecer
Guardar de bom o que fiz

Nada serve quando não se tem
O que se poderia ter
Prometeu que um vem
Para um novo renascer

domingo, 7 de outubro de 2012

Os Mais Belos Olhos


Os Mais Belos Olhos

Parece que o tempo para
Ao olhar dentro de ti
É onde meu coração se ampara
E onde meu amor assenti

Tão longínquo é agora
Mas apenas no espaço
Pois no tempo vivo mora
Os castanhos em um abraço

São estes os mais belos
Que pude um dia deslindar
Proferindo versos singelos
De outrora retomar

Doces olhos que ocupam
Ocupam a mente junto a sorrisos
E os meus se relutam
A lembrar de sentimentos incisos

sábado, 6 de outubro de 2012

Pões a Tua Mão


Pões a Tua Mão

Vens como uma brisa suave
Cerca-me por trás
Com teu toque que é chave
De um amor que sempre terás

Olhos a se encarar
Bocas e sorrisos também
Pela frente a cercar
Sem nenhum desdém

Um abraço na alma
Alimentado por uma doce memória
De uma vivalma
Com uma lúgubre história

Posso ler em teu âmago
Que não foste para sempre
E continuo notívago
Esperando a luz que me alente

Pões sobre mim tua mão
Marca eternamente minh’alma
Com cores em profusão
De uma anamnese que não se acalma

Do Primeiro ao Último


Do Primeiro ao Último

Num estalo de lembranças
Fui levado ao primeiro
Quando tomado de esperanças
A ti entreguei por inteiro

Entreguei o primeiro beijo
Que ainda reverbera
Como um doloroso lampejo
De um último que espera

Um beijo que faz falta
Que atormenta minhas noites
O terrível efialta
Maltratando-me com açoites

Mas algum dia
Ei de vingar o beijo que almejo
E completarei a profecia
Do amor além do desejo

Dance Comigo Esta Noite


Dance Comigo Esta Noite

Antes que apaguem a luz
Venha e dance comigo
E nos teus olhos que me seduz
Lembre-me do meu castigo

Castigo este que me impus
Para mentes conservar
Mas no plano não supus
Os sonhos que iriam acabar

Passei a tua mente ler
Mesmo sem tocar-lhe
E te vi sofrer
Por não mais querer amar-lhe

Sou eu agora
O Leitor de Mentes
Vi que era hora
De sentir o que sentes

É uma grande habilidade
Mas com seu grande preço
Estar preso à eternidade
De um inacabável antecomeço